E o lugar mais quente do planeta é em Danakil, na Etiópia.
Cientistas, Geólogos e Médicos, partiram na aventura de descobrir novas formas de vida num vulcão que nasceu de uma fissura terrestre. Um vulcão recente.
Para lá chegarem, tiveram de atravessar a Etiópia, convivendo dia e noite com a tribo Afar, conhecendo as suas tradições, as suas formas de viver, como encaram as adversidades que encontram.
Uma tribo que não valoriza as mulheres. Onde as mulheres trabalham dia e noite, para sustentarem os homens. Percorrem cerca de 15 a 20 km por dia, para apanhar lenha e buscar água. Todos os dias! Preparam as refeições e são as últimas a comer. Comem o que sobra. Não têm acesso a médicos ou a medicamentos. Quando adoecem, morrem, simplesmente.
Alimentam-se do leite dos Camelos e das Cabras. Das suas carnes, também. Andam descalços e trabalham sobre 45 a 50º C.
Esta equipa de descobridores, levou consigo algum material de trabalho, como computadores, medidores, todos os utensílios necessários para poderem recolher a maior informação possível. Para se dirigirem aos locais, percorriam quilómetros e quilómetros de deserto… não sabendo se estavam a andar a direito ou se desviavam do percurso… e podiam levar 6 a 7 horas de caminho!
A parte mais fascinante desta viagem, foi quando chegaram ao vulcão.
Não queriam acreditar. Ver a lava a borbulhar, o som ensurdecedor, a beleza desta maravilha natural… estavam efusivos…
Tentaram recriar o vulcão em 3D, através de lasers que eram colocados nas extremidades deste. Para que futuramente pudessem ter informações cruciais na investigação do fenómeno. Para além disto, retiraram amostras da lava (para descobrirem se existe de facto algum tipo de vida nestas condições), desceram ao vulcão, tentaram medir a temperatura da lava em ebulição… mas não conseguiram. Ele estava mesmo, mesmo à beira da rochosa do vulcão (com um risco de 90%, porque a qualquer momento, podia escorregar), atirou o medidor, mas não foi longe o suficiente. Ainda não foi desta que conseguiram saber a temperatura exacta a que a lava se encontra.
Em volta desta fissura, encontraram "poças" de águas esverdeadas. O solo estava a mais de 100º C (digo isto porque não me lembro exactamente da temperatura – mas podem crer que era muito alta), a água estava ainda mais quente e com uma acidez máxima. As solas de borracha dos investigadores estavam a derreter e já sentiam os pés a queimar… também tiraram amostras desta água na tentativa de saber se existia ou não alguma forma de vida nestas condições.
Nesta exploração, todos eles estavam em risco. Se o vulcão entrasse em erupção… não se poderiam salvar (quem não arrica, não petisca!)
Nunca fui muito adepta de vulcões. Mas gostei de ver o espectáculo à noite!
As misturas de vermelho e laranja vivos, os rasgos de cor da lava no escuro… muito bonito! (e só da televisão… imagino ao vivo!)
Em conclusão:
Da amostra da água esverdeada com acidez máxima, encontraram uma bactéria! (em condições como estas? Espectáculo!)
Da amostra da lava não se revelou nenhuma forma de vida.
Mas valeu a experiência de terem descoberto e de terem estado dentro de um novo vulcão.
Afinal é assim que eles nascem!
* esta reportagem passou na RTP 2, à qual assisti atentamente! Foi das melhores reportagens que vi até hoje!
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